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RUAS DA CAPITAL

Brasilia

Quem mora em Brasília ouve a mesma história e escuta as mesmas perguntas quando recebe algum parente: “Onde o presidente mora?”, ou então: “Será que vou ver o presidente?”.

Os mesmos questionamentos acontecem quando se visita os familiares no interior: “Você já foi à casa do presidente?”, “você conhece o presidente?”. Muito bem, em qualquer das situações, após o interrogatório, começa a tentativa, às vezes frustrante, de explicar: eu só moro na mesma cidade, não o conheço e nunca fui tomar chá com ele, até porque ele quase nunca está.

Outra coisa que eu ainda não consegui entender em Brasília, cadê as praças? Aqui falta isso. Num belo domingo de tarde, quais são as opções da capital? Falta aqui um lugar em que as pessoas possam se encontrar e jogar conversa fora, como acontece em Belo Horizonte.

Outra característica marcante da capital federal é que quando não se sabe andar por aqui ou não se tem um mapa, não adianta tentar perguntar. Primeiro porque é difícil encontrar pessoas a pé pelas ruas da cidade e, em segundo lugar, porque as poucas que caminham por aí, não respondem ou não sabem explicar como chegar ao lugar que se quer ir.

Certa vez, eu e minha família viajamos até São Luiz, no Maranhão. Perguntamos a um senhor logo que chegamos à cidade se ele sabia onde ficava o hotel no qual íamos nos hospedar. Ele foi capaz de indicar todo o trajeto. O mesmo aconteceu em Rio Branco, no Acre, depois de perguntar a um rapaz onde ficava um determinado lugar, ele nos guiou até o endereço desejado, sem pedir nada em troca. Mas quando viemos pela primeira vez em Brasília, cadê pessoas que soubessem nos indicar como chegar ao nosso destino?

Brasília também tem outras peculiaridades, como um alto índice de carros nas ruas. Meu tio falou certa vez sobre a cidade: “Aqui não deve ter engarrafamento”. Ele não imagina que um percurso que pode ser feito em 30 minutos, algumas vezes é feito em mais de uma hora e o pior, não há acidentes que justifiquem essa demora. A causa é o grande número de carros nas ruas e a falta de cortesia no trânsito.

Aqui a escolha é entre dirigir num engarrafamento, não achar vagas para estacionar porque as pessoas não andam de ônibus ou tentar se locomover pelo transporte público, que também é terrível. Há um tempo, peguei um micro ônibus, ou zebrinha como é conhecido, para ir da rodoviária até o trabalho. Não sabia se estava chovendo mais dentro ou fora da lotação.

Brasília é o centro político do país e alguns meios de comunicação foram capazes de chamar os alunos da Universidade de Brasília de baderneiros, por estarem reivindicando transparência nas contas da universidade. Acredito que faltam mais baderneiros como eles para melhorar a política do país.

Em uma roda de amigos, certa vez, um conhecido fez um comentário no mínimo instigante. Para ele, o certo seria voltar à ditadura, pois assim o Brasil iria crescer. Com o governo dominado pelos militares, a economia do país estaria melhor e o país mais desenvolvido. Ele esqueceu das pessoas que morreram por causa desse regime militar. Esqueceu também da falta de liberdade de ir e vir, de manifestar e tudo mais que passou nessa época.

O professor do Centro Universitário de Brasília e jornalista do Correio Braziliense Severino Francisco, apresentou um novo meio de comunicação com o além-túmulo, o www.sobrenaturaldealmeida.com.br. Acho que deveríamos aproveitar e procurar saber de Darcy Ribeiro, Nelson Rodrigues, entre outras personalidades, que não estão mais aqui, qual seria a solução para o país. Há… Deveria ser feita uma convenção com eles. Quem sabe não têm uma solução para a política e para os políticos do Brasil?



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