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QUESTÕES DE NOTICIABILIDADE

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Durante a manhã um ônibus capotou na estrada que liga a cidade satélite Santa Maria ao Plano Piloto, área Central de Brasília. Segundo a polícia o ônibus transportava aproximadamente 80 pessoas. Uma mulher morreu e mais de 40 pessoas estão feridas. Foi constatado que os pneus do veículo estavam carecas.

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As 12h de quarta-feira o Ministério da Educação (bloco L na Esplanada dos Ministérios em Brasília)  pegou fogo no 8º e 9º andar.  Segundo informações o incêndio foi causado pela explosão de uma subestação energética do prédio. Não houve feridos.

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As duas notícias são importantes. Uma mostra claramente as péssimas condições do transporte público da Capital do País e a outra mostra a fragilidade da estrutura física dos órgãos públicos brasileiros.  Porém, a questão de noticiabilidade é que a primeira foi ratratada em TODOS os veículos da região enquanto o segundo não foi apresentado. O principal motivo é a fragilidade do nossos meios de comunicação: todos são voltados para o lucro. Qual evento é mais rentável? Aquele em que pessoas sofrem e principalmente quando se tem morte. Isso é fato. Casos como o da Isabela Nardoni: depois daquela bagunça toda, de câmeras 24h em frente a casa da família e etc, a mídia mostrou se eles foram punidos ou não? Por que isso? bom… a notícia “deu o que tinha que dar”.

Wolf Maia* retrata o conceito de noticiabilidade: “o conjunto de critérios, operações e instrumentos com os quais os órgãos de informação enfrentam a tarefa de escolher, quotidianamente, de entre um número imprevisível e indefinido de factos, uma quantidade finita e tendencialmente estável de notícias”.

O critério brasileiro de noticiabilidade é: aproveitar ao máximo o que aquela informação pode dar e deixar de informar “n” outras coisas. Isso seria falta de ética?

 
*Wolf, M. (2002). Teorias da comunicação. Lisboa, Editorial Presença.

MISÉRIAS BRASILEIRAS

Inúmeros índices são utilizados para medir o índice de pobreza no mundo. O Banco Mundial define a pobreza extrema aquela em que o indivíduo sobrevive com menos de 01 dólar por dia. Estima-se que 01 bilhão e 100 milhões de pessoas em todo o mundo tenham consumo inferior à 1dólar/dia.
Dos 183,9 milhões de habitante do Brasil, 9,3% se encontram no Índice de Pobreza Humano (IPH). O índice é representa as carências quanto ao desenvolvimento humano relativos ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).
Apesar dos inúmeros programas do governo brasileiro, como a Bolsa-Família ou o instinto programa Fome Zero, a situação Brasileira não mudou muito com os anos. A mortalidade infantil ainda continua alta: no Brasil, são 25,6 mortes para cada mil nascimentos, enquanto em países desenvolvidos esse número cai para 5 mortes para cada mil nascimentos.
O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a qualidade de vida, mostra o Brasil na 69ª posição. Países como Cuba, México e Uruguai estão na frente do Brasil. Entretanto, o país considerado pior para se morar é Níger na África, na 177ª posição. Acima dele estão estão Serra Leoa, Mali, Burkina Fasso, Guiné-Bissau, República Centro-Africana, Chade, Etiópia, Burundi, Moçambique e República Democrática do Congo, que ficou no 167o lugar. Para a ONU os países africanos estão no final da lista devido a propagação da AIDS.

APARECIDA

Imagine uma criança com menos de 1 ano de vida morar em um acampamento na Capital Federal junto a sujeira, lixo, fezes, urina, resto de comida e estar sujeito a contrair doenças transmitidas por ratos (como a Leptospirose).

Imagine ter que pedir dinheiro na rua para comprar medicamentos e alimentos. Em muitos casos, esse dinheiro é usado para a compra de bebidas alcólicas. Esses casos não são incomuns. É fácil encontrar histórias comuns ao se andar pelas áreas verdes da cidade. 

 Aparecida é uma garotinha linda, com olhos verdes e super-simpática. Com seus poucos meses de vida já passa por toda essa situação descrita acima. Seus pais vieram de Feira de Santana a pé para tentar a vida em Brasília. Acreditaram que na capital poderiam crescer e conseguir algo melhor. Existem milhares de brasileiros que vivem em situações como a de Aparecida e sua família.

APARECIDA

NO DISTRITO FEDERAL

No final de 2008, o jornal Correio Braziliense publicou uma série de matérias sobre a prostituição infantil. Garotas de 13 e 14 anos na rodoviária da Capital

usadas como objetos sexuais em plena luz do dia. O pouco dinheiro ganho (R$ 5,00) em muitos casos é para conseguir alimento e ajudar a família.

O Governo da Capital espalhou cartazes sobre a prostituição infantil (crime) e intensificou o policiamento durante pouco tempo. Depois de menos de um mês, já existem famílias que moram na rodoviária. Lá é onde as mulheres têm seus filhos e onde os pais a educam. É lá também onde as crianças ainda são abusas sexualmente em frenteao palácio que rege o governo do nosso país.

MUDANÇAS

O que poderia ser feito para melhorar a vida dessas pessoas? Não adianta apenas a dar comida… Como a vovó diria “é preciso ensinar a pescar e não dar o peixe”. É preciso de incentivo do governo a educação e planos de moradia. No Brasil, o saneamento básico atinge apenas a 75% do território nacional, enquanto em países a Coréia do Sul, esse índice é de 91%.

fotos: André Corrêa

 



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