Arquivo de Fevereiro, 2009

“A” MALA DA VEZ FUI EU

Anualmente são mais de 3 milhões de inscritos  para concorrer a uma vaga em alguma faculdade no Brasil, a prova de seleção aborda conhecimentos básicos do ensino médio em questões objetivas e testa a expressividade do aluno em questões discursivas.

MAS… de onde veio o vestibular?

O vestibular surgiu no Brasil em 1911. Antes disso, os egressos nas universidades eram escolhidos de acordo com a escola em que haviam se freqüentado. A partir do momento que o número de candidatos aumentou, esse sistema era restrito e não atendia a todos, o governo brasileiro instituiu o vestibular.

Para o modelo hoje usado pelas universidades (com questões objetivas e subjetivas além de livros de leitura obrigatória). Na década 60 os exames incluírem incluse provas orais e temas sorteados na hora para que o concorrente discursasse espontaneamente.

Dizem que em toda prova existe um mala.  Acho que eu já fui “a” mala algumas vezes…

Quando entrei para o ensino médio começou o terrorismo: na escola os professores começaram a cobrar notas a dizer que não fazer uma faculdade seria um absurdo que éramos capazes. Eu partirculamente nunca entendi qual a objetividade de algumas matérias na minha vida cotidiana, mas… eu era obrigada a tentar aprender já que para ser alguém na vida eu deveria cursar algo.

Em casa a cobrança de que se eu não fizesse um curso superior eu não seria mais nada na vida. Minha sorte é que eu já sabia o que queria… Uma única vez fiquei em dúvida. Foi um diálogo mais ou menos assim:

- Vó vou ser jornalista!!!!!!!!

-Mas… por que você não faz medicina?

Bom, diziam os antigos que em toda família alguém deveria ser médico. Ainda bem que não foi eu (xD).

EU no vestibular

Eu não estava acostumada a passar uma tarde de sábado de dezembro (com Brasília quente) ficar sentada em uma cadeira dura por 4h e 30min pensando nas IMENSAS questões do Cespe, então para a prova de domingo eu resolvi que levaria meu chocolate e algo para comer: optei por Ruffles.

NUNCA imaginaria que abrir um pacote de batata fizesse tanto barulho!!!!!!! E para comer as batatinhas? Era um tal de croc-croc vagarosamente para fazer o mínimo de barulho. Bom, acho que não deu certo e que algumas pessoas queriam me matar!!!! Fui abrir aquela deliciosa barra de chocolate da Hershey’s… E quem disse que eu conseguia? Até que o fiscal da prova, muito solícito, foi atrás de uma tesoura e cortou para mim.

No último final de semana fui fazer a prova de transferência para a UnB. Depois de passar 9h fazendo prova durante um final de semana, achei que 3h não seria necessária nenhuma forma de acordar! Acordei cedo, arrumei minhas coisas e por volta de 12h30 sai de casa (a prova começaria as 14h).

Ao ligar o carro já começaram os problemas: o carro não queria ligar!!! Consegui sair finalmente da garagem (os outros carros estavam atrapalhando) na rodovia começa a chorer, então diminuo a velocidade já que a pista está molhada… mas o que me ocorre? O carro derrapa e vou parar no canteiro central, a um (UM) metro de um poste… Tento ligar para casa, mas meu celular não funciona… respiro e resolvo a ir para a prova….

Chego ainda cedo, saio e vou para a sala. Aos 20 minutos de prova, não sei porque DIABOS eu caí.. Exatamente, caí da cadeira com tudo. O fiscal me pergunta: “você tem certeza que está bem? Quer sair?” Eu fico roxa e abaixo a cabeça e digo que não que foi só um susto. Ôooo provinha de matemática difícil (a de português eu fechei xD).

Para finalizar o dia…. Meu carro resolve a desligar sozinho no meio da L2 (avenida simplesmente vazia), mas ele volta a funcionar.. Solta uns estouros pelo cano de descarga… Mas chego em casa (andando a 40km/h)

Essa foi a minha história de vestibular ;)

RUAS DA CAPITAL

Brasilia

Quem mora em Brasília ouve a mesma história e escuta as mesmas perguntas quando recebe algum parente: “Onde o presidente mora?”, ou então: “Será que vou ver o presidente?”.

Os mesmos questionamentos acontecem quando se visita os familiares no interior: “Você já foi à casa do presidente?”, “você conhece o presidente?”. Muito bem, em qualquer das situações, após o interrogatório, começa a tentativa, às vezes frustrante, de explicar: eu só moro na mesma cidade, não o conheço e nunca fui tomar chá com ele, até porque ele quase nunca está.

Outra coisa que eu ainda não consegui entender em Brasília, cadê as praças? Aqui falta isso. Num belo domingo de tarde, quais são as opções da capital? Falta aqui um lugar em que as pessoas possam se encontrar e jogar conversa fora, como acontece em Belo Horizonte.

Outra característica marcante da capital federal é que quando não se sabe andar por aqui ou não se tem um mapa, não adianta tentar perguntar. Primeiro porque é difícil encontrar pessoas a pé pelas ruas da cidade e, em segundo lugar, porque as poucas que caminham por aí, não respondem ou não sabem explicar como chegar ao lugar que se quer ir.

Certa vez, eu e minha família viajamos até São Luiz, no Maranhão. Perguntamos a um senhor logo que chegamos à cidade se ele sabia onde ficava o hotel no qual íamos nos hospedar. Ele foi capaz de indicar todo o trajeto. O mesmo aconteceu em Rio Branco, no Acre, depois de perguntar a um rapaz onde ficava um determinado lugar, ele nos guiou até o endereço desejado, sem pedir nada em troca. Mas quando viemos pela primeira vez em Brasília, cadê pessoas que soubessem nos indicar como chegar ao nosso destino?

Brasília também tem outras peculiaridades, como um alto índice de carros nas ruas. Meu tio falou certa vez sobre a cidade: “Aqui não deve ter engarrafamento”. Ele não imagina que um percurso que pode ser feito em 30 minutos, algumas vezes é feito em mais de uma hora e o pior, não há acidentes que justifiquem essa demora. A causa é o grande número de carros nas ruas e a falta de cortesia no trânsito.

Aqui a escolha é entre dirigir num engarrafamento, não achar vagas para estacionar porque as pessoas não andam de ônibus ou tentar se locomover pelo transporte público, que também é terrível. Há um tempo, peguei um micro ônibus, ou zebrinha como é conhecido, para ir da rodoviária até o trabalho. Não sabia se estava chovendo mais dentro ou fora da lotação.

Brasília é o centro político do país e alguns meios de comunicação foram capazes de chamar os alunos da Universidade de Brasília de baderneiros, por estarem reivindicando transparência nas contas da universidade. Acredito que faltam mais baderneiros como eles para melhorar a política do país.

Em uma roda de amigos, certa vez, um conhecido fez um comentário no mínimo instigante. Para ele, o certo seria voltar à ditadura, pois assim o Brasil iria crescer. Com o governo dominado pelos militares, a economia do país estaria melhor e o país mais desenvolvido. Ele esqueceu das pessoas que morreram por causa desse regime militar. Esqueceu também da falta de liberdade de ir e vir, de manifestar e tudo mais que passou nessa época.

O professor do Centro Universitário de Brasília e jornalista do Correio Braziliense Severino Francisco, apresentou um novo meio de comunicação com o além-túmulo, o www.sobrenaturaldealmeida.com.br. Acho que deveríamos aproveitar e procurar saber de Darcy Ribeiro, Nelson Rodrigues, entre outras personalidades, que não estão mais aqui, qual seria a solução para o país. Há… Deveria ser feita uma convenção com eles. Quem sabe não têm uma solução para a política e para os políticos do Brasil?

UMA VERSÃO SOBRE CONTOS DE FADAS

“Era uma vez…”

fotografia de André Corrêa

fotografia de André Corrêa

É assim que começam as histórias infantis. Mas… você já parou para pensar no contexto dessas histórias de garotas submissas que para serem felizes esperam a chegada do príncipe encantado? Já parou para pensar também que os rapazes [necessariamente] são bonitos e ricos.

O casal gaúcho Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso analisaram psicologicamente as histórias infantis no livro Fadas no divã como os contos sobreviveram tanto tempo e se adaptam de acordo com cada época. “Como esses restos de passado vieram parar nas mãos das crianças de hoje?” é o questianamento dos psicanalistas.

O austríaco Bruno Bettelheim publicou na década de 70 a tese que os contos que sobreviveram até hoje são aqueles que mexem com o inconsciente dos narradores e ouvintes. ” Nos contos de fadas, o paciente encontra soluções analisando as partes da história que dizem respeito a seus conflitos”. (Trecho do livro do autor A Psicanálise dos Contos de Fadas)

As histórias se transformaram com o tempo. Adquiriram pudores de acordo com cada época, suas narrativas foram adaptadas com cada sociedade…

“Depois de comer um pouco de carne e beber do sangue da avó, Chapeuzinho Vermelho atendeu ao convite do lobo:
- Tire a roupa, minha filha, e venha para a cama comigo.
O striptease da menina é lento e completo. Passa pelo avental, pelo corpete e pelas meias. Ela joga cada peça no fogo porque o lobo lhe assegura que não precisará mais delas. Deitada com ele, a garota tem uma súbita vontade de urinar. O animal manda que faça na cama mesmo. Chapeuzinho recusa-se. O lobo permite então que ela vá, mas a amarra ao pé da cama com um cordão. Chapeuzinho consegue escapar e corre o mais rápido possível para casa.”

Esse é um trecho da história de Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mal em suas primeiras fases.

Maria Emília Traça na obra O Fio da Memória Do Conto Popular ao Conto para Crianças retrata o perfil comum dos heróis…

1. Era uma vez um herói (heroína);
2. Que parte à procura de algo para ser feliz (um objeto, amor, amizade, riqueza…);
3. Ao longo da sua vida sempre alguém o informa ou aconselha;
4. Porém, o herói parte à aventura…
5. No caminho encontra aliados e inimigos…
6. Sozinho ou com ajuda de aliados, vai encontrando obstáculos que consegue, ou não, vencer;
7. Frequentemente consegue aquilo que procura…
8. Todavia, por vezes um inimigo poderoso opõe-se: um gigante, um dragão, um bicho mau…
9. Mas o herói defronta o seu inimigo, contudo, é vencido;
10. O amigo do herói vem em sua ajuda;
11. E o herói volta a defrontar o inimigo e consegue ganhar!
12. Entretanto, durante o(s) seus(s) regresso(s) o herói é perseguido por aliados ou servidores do seu inimigo (irmãos, soldados, monstros…);
13. Vai novamente combatê-los e assim vencer diversos obstáculos, armadilhas e muitas, muitas dificuldades…
14. O herói regressa a casa – FIM – “Casaram-se e viveram felizes para sempre.” ou viverão novas provas, novas peripécias ou novos combates.

As garotas dos contos de fadas como Branca de Neve ou Cinderela, não são aptas a serem modernas e a seguirem um caminho sozinha. Elas precisam que ELE as salvem.
As garotas desde crianças são acostumadas a procurarem o homem perfeito, aquele que virá buscá-la e a salvará de uma vida cruel.
Para os garotos eles aprendem a querer novas aventuras e a desfrutarem de toda a liberdade.

E tudo parece que será..

“FELIZ PARA SEMPRE”

fotografia de André Corrêa

fotografia de André Corrêa

QUESTÕES DE NOTICIABILIDADE

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Durante a manhã um ônibus capotou na estrada que liga a cidade satélite Santa Maria ao Plano Piloto, área Central de Brasília. Segundo a polícia o ônibus transportava aproximadamente 80 pessoas. Uma mulher morreu e mais de 40 pessoas estão feridas. Foi constatado que os pneus do veículo estavam carecas.

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As 12h de quarta-feira o Ministério da Educação (bloco L na Esplanada dos Ministérios em Brasília)  pegou fogo no 8º e 9º andar.  Segundo informações o incêndio foi causado pela explosão de uma subestação energética do prédio. Não houve feridos.

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As duas notícias são importantes. Uma mostra claramente as péssimas condições do transporte público da Capital do País e a outra mostra a fragilidade da estrutura física dos órgãos públicos brasileiros.  Porém, a questão de noticiabilidade é que a primeira foi ratratada em TODOS os veículos da região enquanto o segundo não foi apresentado. O principal motivo é a fragilidade do nossos meios de comunicação: todos são voltados para o lucro. Qual evento é mais rentável? Aquele em que pessoas sofrem e principalmente quando se tem morte. Isso é fato. Casos como o da Isabela Nardoni: depois daquela bagunça toda, de câmeras 24h em frente a casa da família e etc, a mídia mostrou se eles foram punidos ou não? Por que isso? bom… a notícia “deu o que tinha que dar”.

Wolf Maia* retrata o conceito de noticiabilidade: “o conjunto de critérios, operações e instrumentos com os quais os órgãos de informação enfrentam a tarefa de escolher, quotidianamente, de entre um número imprevisível e indefinido de factos, uma quantidade finita e tendencialmente estável de notícias”.

O critério brasileiro de noticiabilidade é: aproveitar ao máximo o que aquela informação pode dar e deixar de informar “n” outras coisas. Isso seria falta de ética?

 
*Wolf, M. (2002). Teorias da comunicação. Lisboa, Editorial Presença.

MISÉRIAS BRASILEIRAS

Inúmeros índices são utilizados para medir o índice de pobreza no mundo. O Banco Mundial define a pobreza extrema aquela em que o indivíduo sobrevive com menos de 01 dólar por dia. Estima-se que 01 bilhão e 100 milhões de pessoas em todo o mundo tenham consumo inferior à 1dólar/dia.
Dos 183,9 milhões de habitante do Brasil, 9,3% se encontram no Índice de Pobreza Humano (IPH). O índice é representa as carências quanto ao desenvolvimento humano relativos ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano).
Apesar dos inúmeros programas do governo brasileiro, como a Bolsa-Família ou o instinto programa Fome Zero, a situação Brasileira não mudou muito com os anos. A mortalidade infantil ainda continua alta: no Brasil, são 25,6 mortes para cada mil nascimentos, enquanto em países desenvolvidos esse número cai para 5 mortes para cada mil nascimentos.
O relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a qualidade de vida, mostra o Brasil na 69ª posição. Países como Cuba, México e Uruguai estão na frente do Brasil. Entretanto, o país considerado pior para se morar é Níger na África, na 177ª posição. Acima dele estão estão Serra Leoa, Mali, Burkina Fasso, Guiné-Bissau, República Centro-Africana, Chade, Etiópia, Burundi, Moçambique e República Democrática do Congo, que ficou no 167o lugar. Para a ONU os países africanos estão no final da lista devido a propagação da AIDS.

APARECIDA

Imagine uma criança com menos de 1 ano de vida morar em um acampamento na Capital Federal junto a sujeira, lixo, fezes, urina, resto de comida e estar sujeito a contrair doenças transmitidas por ratos (como a Leptospirose).

Imagine ter que pedir dinheiro na rua para comprar medicamentos e alimentos. Em muitos casos, esse dinheiro é usado para a compra de bebidas alcólicas. Esses casos não são incomuns. É fácil encontrar histórias comuns ao se andar pelas áreas verdes da cidade. 

 Aparecida é uma garotinha linda, com olhos verdes e super-simpática. Com seus poucos meses de vida já passa por toda essa situação descrita acima. Seus pais vieram de Feira de Santana a pé para tentar a vida em Brasília. Acreditaram que na capital poderiam crescer e conseguir algo melhor. Existem milhares de brasileiros que vivem em situações como a de Aparecida e sua família.

APARECIDA

NO DISTRITO FEDERAL

No final de 2008, o jornal Correio Braziliense publicou uma série de matérias sobre a prostituição infantil. Garotas de 13 e 14 anos na rodoviária da Capital

usadas como objetos sexuais em plena luz do dia. O pouco dinheiro ganho (R$ 5,00) em muitos casos é para conseguir alimento e ajudar a família.

O Governo da Capital espalhou cartazes sobre a prostituição infantil (crime) e intensificou o policiamento durante pouco tempo. Depois de menos de um mês, já existem famílias que moram na rodoviária. Lá é onde as mulheres têm seus filhos e onde os pais a educam. É lá também onde as crianças ainda são abusas sexualmente em frenteao palácio que rege o governo do nosso país.

MUDANÇAS

O que poderia ser feito para melhorar a vida dessas pessoas? Não adianta apenas a dar comida… Como a vovó diria “é preciso ensinar a pescar e não dar o peixe”. É preciso de incentivo do governo a educação e planos de moradia. No Brasil, o saneamento básico atinge apenas a 75% do território nacional, enquanto em países a Coréia do Sul, esse índice é de 91%.

fotos: André Corrêa

 



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